O Despertar do Primeiro Homem - O Livro.

    

                                              

                           O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM.
                        
       O Despertar do Primeiro Homem, o livro da nossa exposição, embora compactada em partes, não perde o vínculo com a obra na sua forma original.
            
                                 
   Este livro, na íntegra, encontra-se disponibilizado no Clube de Autores e em breve nas livrarias on-line das lojas americanas, Cultura, Amazon, Google book, entre outras.
                   Abaixo, a quem interessar, o link do Clube.

                  Jaime D’Aquino. Todos os direitos autorais reservados.



                                                APRESENTAÇÃO.   
       
Neckvizs, personagem principal da nossa história, “O Despertar do Primeiro Homem”, em determinadas circunstâncias é “real” e, em outras, simulado.
Nas sucessões dos argumentos nela apresentados, no decorrer de certos segmentos, representa sutil subterfúgio à frente de outros personagens, bem como durante judiciosas narrações. Este hábil recurso nos servirá para expor a livres pensadores, diferentes ponderações acerca de aspectos comuns da vida. Entre eles estão os fenômenos sociais, as ciências dos homens, religiões, conceitos sobre real e ilusório, a visão poética da natureza, bem como longas séries de diversas e importantes razões apresentadas para as reflexões gerais sobre os Universos em que vivemos; o entendido como Cosmos e o nosso interior, embora nas restritas compreensões humanas sobre eles. A estes temas está entremeado um inspirador e surreal romance.
Interposto neles encontra-se também inserido, sobretudo, o fato de sermos conscientes das inúmeras questões desafiadoras ao nosso intelecto desde que existimos, e uma das mais cruciais é a ausência da percepção sobre nós mesmo; o que somos e que protagonismo nos cabe perante o contexto de tudo o que existe.
Nós seres humanos, sem exceção, portamos em nossos âmagos, grande poder de imaginação e criatividade, estes atributos, entretanto, não sabemos se fazem parte de processos involuntários ou se os conquistamos ao longo das existências percorridas como seres inteligentes, pois para chegarmos a uma conclusão definitiva sobre a questão precisamos fazer uso da razão, do pensamento e da consciência e estes três termos, em essência, é para nós ainda, desconhecido.
Falhamos muito, em função da natureza íntima que nos é peculiar, no discernimento do que seja progresso, o evoluir.
Suponhamos que tenhamos de fato o poder de prognosticar. Com base nele poderemos intuir que o esmero intelectual, sem o moral a níveis adequados, termina, em algum tempo, por ser algo nocivo, principalmente na perpetuação, não apenas da espécie humana, mas de toda vida em nosso habitat.
Se admitirmos do ser animal mais tosco, ao homem mais inteligente, como uma comunidade de seres animais, podemos igualmente admitir, colossais responsabilidades do último sobre todos seus predecessores.
Assim sendo, quais imensas são as nossas, particularmente perante a nós mesmos e demais elementos fundamentais a nossa existência. Deveríamos cultuar menos os egos e ouvir mais a voz que clama nossa atenção para a interdependência entre tudo, e que apenas “a natureza” possui o senso de retirar ou acrescentar o que por ventura seja necessário.
Se existir uma escala de desenvolvimentos, dos mais primitivos ao pleno, não seria difícil avaliarmos o estreito espaço dela em que nos situamos. É notável a nossa pobreza em perceber e avaliar as reais faces externas e internas das coisas.
Alicerçado no que observamos, não chega a ser um fato excepcional, a ignorância do que somos.
Neste patamar de valores externos e internos, criaram-se, em sua maior parte, visões fantasiosas do universo em que vivemos, embora essas fantasias sejam úteis nos desfiles por suas passarelas.
Pretendemos com a nossa história convidá-lo a viajar conosco, na condição de livres pensadores, desprendidos como tais dos arcabouços das religiões, ciências e um número expressivo de conceitos que tentam, de forma caótica, a tudo explicarem. 
Obs.: O narrador estará sempre explícito com o caractere underline ou subtraço, ´_`, em negrito. _Narrador.           

      O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM

                                              Primeira parte. 
                               
 _Neckvizs, trazendo ao pescoço o seu inseparável cordão confeccionado com uma fina tira de couro, tendo nos seus extremos, presa por duas argolas de aço, uma pedra de jaspe vermelha, caminha solitário pelas alvas areias de uma praia deserta. O também solitário, mas imponente Sol desliza suavemente em direção ao horizonte, espargindo antes da sua despedida, brilhos de luzes douradas refletidas nas esparsas e brancas nuvens que o rodeiam, nas calmas ondas do mar e em todos os espaços mais próximos da majestade de seu fulgor. Detém seus passos e o contempla como um espectador embevecido, indagando a si mesmo o que leva àquele magnífico astro a doar sempre todas as formas de energias vitais a Vida ao mundo onde se encontra.
Envolto em suas cogitações não percebe que a noite se fez presente trazendo com ela, apesar de muito distantes, não apenas um Sol, mas um número infinito deles.
É um homem que, embora peregrinasse por vários países, passando em meio a milhares de pessoas, e que teve contato com grande número delas, não imagina que uma entre todas sempre seguiu seus passos, orientando e protegendo-o desde eras remotas. Sem notar a sua presença e seus cuidados por ele, sente-se além de só, um prisioneiro de si mesmo.
Inquieto, vive dominado pela frustração de não possuir, quais todos os seus irmãos na Terra, a capacidade de abarcar o porquê da existência das coisas. Supõe a impossibilidade de em algum momento obter a abrangência absoluta de tudo.
Se essa Suprema faculdade lhe fosse, por algum acontecimento extraordinário, concedida, dissiparia para sempre a sua crucial interrogação interior que o atormenta desde menino, e assim, feliz, veria realizado o seu sonho, a sua razão de Vida. 
Entende que isso é algo impraticável e conforma-se. Como gostaria de expandir seus míseros conhecimentos muito além da habilitação humana e compreender esta questão extrema!
Senta-se agora nas frias areias, e seus olhos divagam pelas cintilantes estrelas que fazem aflorar do seu íntimo, imensa tristeza pela sua pequenez.
A ponderação diante de tão colossal esplendor, já que aqueles singulares pontinhos brilhantes são simplesmente uma ínfima porção do que a sua percepção pode alcançar, parece-lhe naquele instante, a melhor opção.
Deixou de lado os anseios do seu âmago e passou a contemplar, sentindo a seguir que inibindo a sua faculdade de pensar, tudo o que via na abóbada celeste se revestia de irresistível magnetismo, como se a ele fosse enviado um chamamento para que no silêncio, apreciasse com os olhos do seu interior, os encantos que apenas eles poderiam perceber.
Por horas fixou absorto, os flamejantes pontos de luz, sem a menor ansiedade e necessidade de saber o que são de fato, que papéis representam ou as suas essências.
Na sua “condição particular” não poderia haver tão profundo desligamento que, em dado momento, o levou a viajar em vertiginosa velocidade que se acelerava descontroladamente, passando por entre diversos mundos e, em certo instante, foi violentamente sacudido por alguém que lhe disse:
–Neckvizs volte!
_Ele, como se despertasse de um sono que durara meses, foi lentamente recobrando seus sentidos físicos, sentindo seu corpo gelado.
–Você não deve fazer isso, repreendeu-o o desconhecido.
–Quem é você e o que não devo fazer?
–Não tenho nome, mas escolha um que desejar e me chame por ele.
–Como não tem nome? Todos os homens e tudo o que existe e é conhecido têm!
–Você sabe o que seja existir?  Foi interrogado pelo anônimo.
–Não é ter realidade? Perguntou.
–E o que é realidade?
_Na tentativa de por fim a conversa ironizou:
–Não sei. E o senhor por acaso, sabe?
–Sim, sei!
–Se sabe, por que me pergunta?
–Deixe de lado suas interrogações, visto que elas, por enquanto, não te conduzirão a lugar algum.
Natureza como um todo te fascina de forma extraordinária, velho homem que tornou a ser criança, e voltando a ser, perdeu a oportunidade única da sua plena compreensão. Agora sem a menor das perspectivas desse entendimento, por causa dessa regressão, se angustia profundamente.
_Sentia-se antes enfadado pelas perguntas, mas agora perplexo, pois as suas mais íntimas particularidades pareciam transparentes ao estranho, além das citadas e não compreendidas afirmações, respondeu-lhe então com humildade:
–Sim. Vivo para continuar a ser por ela fascinado, porém, triste por não conseguir de forma alguma a percepção da sua essência.
–Deve ter registrado que sei disso.
–Sim, mas sabe, como?
–O teu âmago não é qual os dos demais seres humanos. Você ama a Natureza, a conhece, o suficiente, contudo, por punição, esqueceu-se dos seus nobres atributos, conquistados em longo período evolutivo, voltando aqui como um homem comum.
–Por qual razão assegura isto?
–Saberá o motivo em pouco tempo, pois deixará de ser, ao menos interiormente, o que foi do seu nascimento ao presente.
–Que homem excêntrico! Me cativa inexplicavelmente, pensava Neckvizs. 
Você apareceu do nada sugerindo saber o que ocorria comigo. Diz que não tem nome, fala a meu respeito como se me conhecesse profundamente, além de insinuar que a vida é um livro aberto a ti. Será que ainda estou sob efeito do que me sucedeu e com a minha mente atordoada, ou você é verdadeiramente uma pessoa e está de fato frente a mim? Perguntou.
–Estou de fato frente a você, embora não seja uma pessoa.
–Então o que é você afinal, um humano diferente de todos os outros?
–Não sou Humano!
–Meus olhos então estão vendo algo que parece um homem, sem ser?
–Seus olhos estão vendo um Ser na forma física de um homem, pois não tenho corpo físico.
–Como não? Estou por ventura delirando?
–Apesar da Majestade do que vivenciou, como igualmente do potencial perigo a que foi exposto, encontra-se no seu juízo normal.
Para o homem e demais seres pensantes, o real é ilusório, vistos que todas as realidades deles estão sempre subordinadas a algo e a circunstâncias, pois nada o que tem “existência de fato”, nas suas concepções, é Real em si mesmo.
Nos universos e nas compreensões dos seres pensantes, dispersados, tanto o real quanto o irreal, são criações de suas mentes. Há apenas uma Realidade Absoluta, visto que Ela não depende de nada para existir, melhor dizendo, Ser, embora a sua natureza íntima seja inalcançável, para todos os que dormem; dos primeiros aos últimos.
–Você faz uso de um fraseado algo enigmático, mas, por favor, esclareça-me: nem mesmo você sabe o que Ela é?
–Sei, e você precisa compreender que:
Para todos os Seres pensantes, abaixo do pináculo evolutivo, nos “infinitos” graus de desenvolvimentos onde cada um se situa, existem diferentes realidades, e tudo o que eles imaginam existir ou não, está condicionado à do mundo, ao domínio existencial onde vivem.
Quando todos estiverem em um Único Mundo, haverá uma Única Realidade para “seus ocupantes” e ninguém jamais será “confundido”. Isto representa a meta inconsciente de todos os “Seres pensantes”.

     O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM
                                 
                                              Segunda Parte.

–Meu amigo existe a mínima condição de eu entender o que seja o mais próximo possível da Realidade Absoluta?
–Isso obstina na tua cabeça qual uma obsessão. A sua ansiedade e incontrolável! Já falei a respeito, esqueceu-se?!
Se convença de algo fundamental: tudo segue um Plano, trilhado por passos determinados que, de forma alguma, podem ser negligenciados. Não existem atalhos para coisa alguma e, por mais uma vez, deseja dar um passo muito maior do que pode alcançar as tuas pernas. Não percebe a tua desmedida prepotência em desejar saber o que se encontra demasiadamente distante da tua compreensão?
–Para explicar-te a Realidade Absoluta, por mais próximo possível que esse esclarecimento possa estar da sua Natureza Íntima, seria imperioso que você estivesse situado em um ponto onde esta elucidação encontrasse meios de ser abarcada nas profundezas do teu interior.
Procure se colocar no lugar do homem que és, e atente para um exemplo rudimentar, não desconhecido de ti: por uma deficiência visual certo indivíduo não consegue perceber a cor vermelha. Para as pessoas onde este problema não as afeta esta cor existe e tem realidade. Para o deficiente ela existe apenas por informações de outrem, não por sua percepção, mesmo porque a falha do seu aparelho visual não elimina a faixa do espectro eletromagnético que dá “origem” a esta cor, contudo, para ele, esta cor não possui realidade, bem como todas as demais que dependem do vermelho. Concluímos assim, de forma primária, que pelo fato de algo existir não implica na sua realidade. Igualmente não é nenhuma incoerência admitirmos que as realidades dos homens sejam processadas nas suas mentes, através de parâmetros estabelecidos e, eles mudam sempre para uma concepção mais aperfeiçoada.
Com o mínimo de conhecimento e inteligência que possui, nas atuais circunstâncias da tua vida, sabe perfeitamente disso, então qual seria a utilidade pratica, de nestas mesmas atuais circunstâncias, ir além? Tudo, absolutamente tudo, “está diante do teu nariz”! O deficiente do exemplo citado, basicamente apenas não vê a cor vermelha, mas isto na plena realidade dele, já você, em relação a sua plena, é cego, surdo e mudo! Se no ínfimo tempo que me conheces pergunta-me obstinadamente pela mesma coisa, é porque entende que reúno condições de alguma forma, te ajudar na tua procura, mas convença-te de que, orientar não significa interferir nos processos que precisas e deve atravessar. Além de mim, também existe mais Seres a te auxiliar na tua incontida busca.

       O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM
                                                                 
                                       Terceira Parte.

Ele foi conduzido por Isasky até uma grande porta e, quando ela se abriu o mandou entrar, despedindo-se.
Entrando, o espaço a sua frente lhe indicava o interior de um suntuoso palácio.
Ficou extasiado ao ver monumentos de formas desconhecidas brilharem qual o ouro, quando a luz incide sobre eles. 
Galantes, altas e robustas colunas que fariam invejas aos gênios arquitetos da Grécia antiga, sustentam um colossal teto em formato de cúpula.
São revestidas, representando símbolos, por pequeníssimas pedras idênticas ao diamante e outras preciosas, de cores diversas.
Doce voz feminina o fez voltar a sua atenção para uma entrada que dá acesso a outro recinto.
–Boa tarde, ilustre Neckvizs!
_Jamais havia visto algo parecido em toda a sua vida. A jovem mulher, que deve ser a Rainha daquele povo, está diante de si.
–Tal qual ela nunca houve na Terra, mulher de extraordinária e exótica beleza, pensava quase que paralisado pela singular visão.
_Sua pele é uma gradação suave do ruivo para o dourado. Seus longos cabelos, que descem a sua cintura, se assemelham a finíssimos fios de ouro divinamente ondulados.
Todo o seu Ser estremeceu violentamente ao notar que ela usa na fronte, uma faixa dourada idêntica a que prende os seus cabelos, desde menino.
O longo vestido branco acetinado, justo ao corpo até próximo aos joelhos, de onde se alarga tocando o piso revela as curvas que, unidas aos olhos azuis claros, os lábios de traços impecáveis, em conjunto com o gracioso rosto de anjo mulher, a torna deusa da mais pura beleza feminina.
Foi impossível para Neckvizs manter-se discreto quando no cumprimento, suas mãos se uniram.
Ela é a suprema representante de uma raça pura, originária desta mesma Terra, desde há oito milhões de anos. Nada escapa a sua extrema sensibilidade, que evoluiu no mesmo grau dos organismos físicos de homens e mulheres pertencentes a uma civilização que até ao presente, é alvo de muitas especulações.
–Venha Neckvizs, sente-se ao meu lado.
Você, até o momento, nunca havia tido a menor reação do belo, sensual ou afetivo por mulher alguma.
–Sugere-me conhecer meus sentimentos?
–Não apenas eles, nos melhores sentidos dos termos que vocês empregam para expressá-los, mas você como um todo.
–O tempo de existência do seu povo confere-lhe tantos poderes assim?
–Mais do que possas imaginar, porém, ter conhecimento de tudo sobre você, sem uma única exceção, é por outro motivo.
–Posso saber o seu nome e qual é este motivo?
–O motivo irá sabendo passo a passo, pois ele representa uma longa estrada a percorrer, já o meu nome é Necklia.
Necklia?! Perguntou Neckvizs pasmado.
–Sim. Os nossos nomes possuírem as mesmas quatro primeiras letras deixou-o muito curioso.
–Não é para deixar?!
–Você tem estranhado muito os acontecimentos recentes, logo após ter conhecido o Ser que o “batizastes” de Isasky.
–Conhece Isasky?
Ele é conhecido pelo meu povo há muitos milhões de anos.
–Muitos milhões de anos?!
–Exatamente, mas Ele não tem idade.
–Você está querendo me dizer que Ele é eterno?
–Sim. Entenda Isasky como sendo, figuradamente, uma das mais poderosas emanações do poder mental da Luz. Apresenta-se àqueles a quem é imperioso seu auxílio, muitas das vezes na aparência física do próprio auxiliado.

       O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM
                                 
                                                 Quarta Parte.

Chegara à noite daquele dia e ele dormiu profundamente, contudo, mais uma vez sem ter tido sonhos enquanto dormia.
Levantou cedo e após o café percebeu que o intenso desejo despertado recentemente, de estar ao lado dos amigos, fora substituído por outro que a seu ver, iria tirar-lhe a paz que vinha experimentando na convivência com eles.
Necklia! Não consigo afastar a imagem do seu divino rosto dos meus pensamentos.
 Esta é a última coisa que imaginava me acontecer um dia, sentir saudades de uma mulher! Eu Neckvizs, um homem alheio a sentimentalismos, que jamais me permitir ser envolvido por coisa alguma que não fosse à procura pelo conhecimento, com o coração oprimido. Ela é o primor da beleza feminina, sem dúvida, e me deixou assustado. Sua voz soa como um cântico, sua presença me fascina, me enlaça, por quê?
_Tem início o despertar de Neckvizs e no decorrer dele, encontrará as respostas.
Voltou a sua rede, a amiga inseparável. Ela o aconchega, o embala, testemunha seus infinitos pensamentos, mas agora o acolhe triste pela saudade que se abrigou no seu coração.

     O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM
                                  
                                                Quinta Parte.
                     O aparecimento dos atuais homens.

–Os homens atuais “apareceram” há pouco tempo, considerando a longínqua escala dos milhões de anos que nos sucederam, e apenas tiveram evoluções exímias em suas ciências recentemente.
Eles sabem que todos os animais e vegetais, mesmo os recém-descobertos, micro-organismos, são seres vivos, apenas não chegaram a um consenso em relação ao vírus.
Disse-te no início das minhas exposições que a Suprema Fonte deixou pronto uma diversificação abundante de elementos, que deram as “partidas” nos “corpos” definitivos das espécies vegetais e animais, bem como foram os mais importantes para aprendizados dos nossos irmãos que nos antecederam, desde a formação da Terra. Estes elementos foram os primeiros vírus. Eles são os únicos seres com a peculiaridade que nenhum outro possui; encerram a “Pré Vida” em si, fora dos ambientes a ela propícios, óbvio, até determinadas condições, pois nada é “imperecível”, conduto dentro deles, onde está atuando a Força Vital, “despertam suas vidas”. De posse dela se multiplicam, e em função de certas conjunturas podem se modificar, e suas extraordinárias variedades, características e valores, dentro das formações de todos os seres vegetais e animais, foram inestimáveis. Constituíram as Primícias da Vida.
Representaram os dados básicos nas constituições orgânicas dos seres vivos. O genoma de cada espécie dos primitivos vírus, no começo das construções experimentais, dos que vieram a serem os instrumentos a vida, neste mundo, foram o “programa inicial” inserido na “matéria prima”, os compostos orgânicos, do que veio a ser a estrutura física do vegetal e do animal, pelos irmãos que nos precederam, bem como os moldou segundo a cada espécie, depois de eras de estudos.
Como te esclareci a Vida neles foi introduzida nas suas “Pré Vidas”, pela Força Vital Individualizada que, além de animá-los, fazendo uso dos dados existentes nos interiores dos genomas de cada espécie de vírus, foram os ordenando e expandindo-os, tornando-os cada vez mais complexos, dentro dos limites de cada “criatura”, até o ápice da evolução dela.
Estas foram às formações dos seres vivos que avaliamos como sendo os “padrões”, melhores conhecidos dos homens. A Vida, entretanto, tem aqui, na Terra, outras formas singulares de manifestações, mesmo em locais considerados desafiadores de a ciência compreender, como seus veículos físicos, micro-organismos, em sua grande maioria, conseguem subsistir, devido aos inusitados meios ambientes onde vivem e cumprem diversas funções.
Voltando aos “seres vivos padrões”: não há como o homem posterior a nós entender, que eles, como um todo, não tiveram um ancestral comum como imagina, “a menos para os de mesma família”. Isso porque as evidências, para eles, são fundamentadas em um conjunto de fatores, aparentemente dentro da lógica, mas excluindo o fundamental; as Forças imateriais que se poderia denominar de Espírito, Alma, Força Vital... O termo a ser usado, na tentativa de definição desta Essência, é irrelevante, importa apenas o que Ela é em Si mesma.
Nunca houve a necessidade de uma espécie animal ou vegetal evoluir para outra, com exceção de alguns micro-organismos, embora continuem sempre, micro-organismos. O que progride continuamente em direção a Unidade é a Força Vital Individualizada. Esta Força Individualizada, por falta de um termo adequado, começa a florescer a partir do ser mais primitivo ao mais evoluído, e continua indefinidamente seus passos rumo ao “infinito”.
–Em relação aos homens atuais, na verdade, eles apareceram há treze mil anos, através da nossa ciência.
Foi-nos sinalizado, na época narrada, o momento propício para “formarmos” o primeiro casal deles, a partir de um primata com a maior “compatibilidade tecnológica”, dos quais os homens de hoje são seus descendentes artificiais.
Com a excelência dos nossos avanços científicos foram necessários apenas seis anos para “criarmos”, preliminarmente, o homem atual em três raças: a branca e a negra, com semelhantes contornos dos olhos e a morena, com os olhos repuxados, quais os dos índios daqui e alguns povos de outros atuais continentes, introduzindo os adequados implementos na espécie selecionada.
Eles foram efetuados em três etapas: na primeira, a mais longa e fundamental, que se estendeu por quatro anos, a reformulação em algumas partes nas estruturas físico-químicas do universo funcional no cérebro do que veio a ser, o pré-homem.
Após as outras duas etapas, ele, o pré-homem, estava em plenas condições de tornar-se o homem primitivo, mediante cruzamentos artificiais com a nossa raça.
Daí, o homem recém-criado continuou homem, e a espécie de primata que serviu para o seu surgimento, prosseguiu a ser o que antes era. “O novo homem”, entretanto, guardava muitas semelhanças físicas e comportamentais com “o animal que lhe deu origem”, semelhanças essas que foram desaparecendo quase completamente ao longo do tempo.
Os homens por nós “criados” e seus descendentes, embora de forma diversa da nossa raça, foram submetidos, como tudo é, a processos evolutivos, sendo eles de relativas acelerações, devido às periódicas inseminações artificiais em grandes grupos de mulheres, com sêmens de homens da nossa raça, já que a compatibilidade era total. Foi à última e superior espécie animal e, em condições excepcionais, a aparecer na Terra.
Necessário se fez controlar suas reproduções por certo tempo, visto que seus progressos físicos e mentais, a princípio, foram lentos, e seguidos muito de perto pelos nossos cientistas. Finalmente, há doze mil e quinhentos anos, o homem de inteligência muito superior estava biologicamente formado.
Eles, desde as suas formações nos conheciam e éramos seus deuses.
Quando suas proles atingiram um número elevado de indivíduos, enviamos a maior parte deles, em grandes grupos, para habitarem em todos os continentes, e neles continuassem a evoluir.
Nos novos mundos que passaram a habitar, com o decorrer dos milênios, foram adquirindo, com discreta exceção na cor, às características físicas que hoje possuem, em função dos ambientes das suas regiões e, mais tarde, por causa dos cruzamentos das pessoas de diferentes etnias.
Na medida em que cresciam demograficamente, nossa raça decrescia de forma acelerada, em número de indivíduos.
A esplêndida civilização que construímos, até os derradeiros dez mil anos A.C, foi muito rapidamente abandonando as áreas que ocupava anteriormente nas várias regiões do mundo, e passou a habitar os continentes americanos.
  

O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM                                                                                             
                                          Sexta parte

Necklia, por que exatamente, como falou diversas vezes, a Força Vital individualizada existe, sugerindo além de animar e dar individualidade aos seres vivos, precisar também evoluir? Por que, e até aonde persistirá este processo?
–Este assunto já te foi abordado, porém não da forma que possa o entender adequadamente. Você representa um território que precisa ser desbravado por si mesmo e a sua incursão por ele necessita ser paulatina, estudada para que não se perca em um labirinto interior.
Vamos voltar ao tema, de forma mais simbólica, na tentativa de que apresse um pouco seus passos.
–Foi-lhe esclarecido que os Seres Pensantes, ao “fim de tudo”, alcançaram todos, sem excetuar nenhum, o patamar culminante da “evolução”, e você não tem o menor juízo da “distância” entre este “ponto culminante”, em relação ao que o homem atual se situa.
Vamos, colocando o homem como exemplo, pôr a individualidade para análise: ele “criou”, tendo símbolos como apoio das suas realidades, a ciência, a liberdade, o cativeiro, Deus, nas suas interpretações do que Ele possa Ser; sociedade, e etc., para dar sentido e sustentabilidade a sua existência.
Como surgiram estas criações nas mentes dos homens?
“Criações”, por mais absurdas que possam parecer, surgem com qualquer ser animado, e não apenas nos homens, nas suas concepções, bem como evoluem no mesmo grau dos organismos físicos destes, e elas sempre têm suas origens transcendentais. Desta forma é óbvio que, antes de um Ser vivo ser “criado”, o que o anima, como as “criações” que neles surgiram, preexistiam e, ambas se configuram qual a Essência de Deus, indefinível, pois não existem em nós, seres humanos, meios de O experienciar, pois Ele é anterior a qualquer experiência.
Estas “criações”, entretanto, do Ser mais primitivo ao Homem e, mesmo além dele, mais uma vez insisto, são simbólicas, e de forma alguma expressa a realidade exterior na sua verdadeira essência.
Por exemplo: um homem está diante de uma maçã vermelha e se prepara para comê-la. Ele capta a imagem e as constituições físicas dela, como a sua forma, cor vermelha, textura, cor de sua polpa, bem como o sabor e odor. Estas, porém, são as realidades mentais que o homem criou dela, e jamais será a realidade verdadeira do que para o homem representa a maçã, pois ela nada possui das por ele criadas.
A despeito de estas realidades existirem, tais quais são nas mentes dos homens, elas podem ter pequenas diferenças de um para outro, embora desprezível em relação a todos, coletivamente.
Elas também são fundamentais e “existem verdadeiramente para o homem”, da mesma forma que são vitais a ele, dentro do atual processo que se situa.
Agora separemos os homens uns dos outros. Cada um possui seu ego ou eu, que é a experiência que o indivíduo tem de si mesmo e do mundo que o cerca.
A individualidade existe de fato?
Não há como esclarecer de maneira simplista o que não é e, ao mesmo tempo é.
Por mais que tentemos explicar, somente experiênciando seria possível entender a sua Essência. Visualizemos um quadro que poderá trazer ideias vagas sobre a questão.
Em algum tempo, em um futuro longínquo, todos os Seres vivos e, não apenas os Homens estarão dentro de um processo final de evolução, mas os Entes que os animam, que são Seres Reais e não seus envoltórios, ou corpos.
Neste tempo deixarão de existir as miríades de realidades e todos “verão apenas uma”, e Ela terá apenas um sentido para todos. Se nem mesmo um simples grão de areia é desprovido de um desígnio, que função teria a individualidade, tal qual a ideia que dela se faz, neste tempo?
Consideremos um Magnifico Oceano de águas cristalinas e puras. As moléculas de água que o compõem são idênticas e, nada mais desejam que unidas, formarem este Grandioso Oceano.
Sobre Ele existe unicamente o Esplêndido e Potentado Céu.  Seus Espíritos, de mãos dadas, sentem coletivamente, a Suprema felicidade de saberem que Este Céu É Deus, embora O Incognoscível Se mostre a todos sempre em diferentes configurações, de modo que o “Paraíso Eterno” é renovado sempre. A Majestade contida no seu Poder substitui a ociosa visão do éden imutável, por Édens reconstruídos a cada instante, por “todo o sempre”. Esta, entretanto, foi à visualização sugerida, mas as criações surgidas “nas criaturas” terão simplesmente isso “como objetivo”? 
Esperamos que este tenha sido mais um importante passo na sua incursão.


       O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM
                                             
                                                   Sétima parte.

       _Após quase uma hora andando param, sentam nas areias e Neckvizs comenta:

–Este nosso mundo é lindo querida! Fico triste em saber que brevemente iremos embora da Terra.
–Todos os corpos celestes visíveis e invisíveis são lindos, não apenas a Terra. Mesmo em um simples asteroide repousam belezas inimagináveis aos homens. Eles focalizam “as lentes” dos seus instrumentos de observações espaciais em inúmeros astros, porém, quase nada conseguem perceber das realidades de cada mundo observado.
Os aparelhos sensoriais dos corpos dos homens, as suas realidades por eles criadas, além de não lhes darem condições de pesquisar com minúcias o que é visto, as deficiências dos materiais empregados nos seus observatórios, mais fenômenos existentes entre eles e os alvos observados, distorce, a ponto de tornar simples conjetura, a grande maioria dos pontos analisados.
A despeito das imensas limitações dos aparelhos sensoriais dos homens e das realidades deles, as suas buscas pelo desconhecido é imensamente louvável e útil ao seu desenvolvimento.
As civilizações modernas têm, em função de uma infinidade de fatores “criados” pelas ciências, recursos que tornam as vidas dos homens e mulheres que as compõem, mais prática, cômoda e melhor em quase todos os aspectos. Infelizmente existe o outro lado da moeda e não gosto de lembrar-me dele.
Chegou o momento de te esclarecer detalhes acerca dos nossos órgãos sensoriais que, a despeito de terem sido formados com “recursos”, inexistentes nos seus, evoluíram extraordinariamente mais. Essas evoluções constantes e progressivas se deram em função de vários fatores. Entre os mais importantes estão: defesas contra circunstâncias extremamente adversas, nos mais variados ambientes em que vivemos, e as que se aprimoraram por necessidades espirituais. 
 Praticamente todas as energias materiais e “imateriais” que nos envolve, estimulam em nossos cérebros imagens mentais. Embora possuam, em média, o mesmo tamanho, peso e volume que o de vocês, existe neles mecanismos excepcionais e conectados a sensores dispersos por todo corpo. O primeiro e o mais importante deles capta ampla gama das energias, seleciona-as por categorias e as enviam as áreas específicas, onde são transformadas em imagens de altíssimas resoluções. Por causa desta e de muitas outras peculiaridades da nossa raça, usamos o quádruplo das funções cerebrais que os humanos secundários.
Percebemos como te foram esclarecidas, as imagens de todos os elementos materiais em qualquer estado, que são interpretadas com riquezas de particularidades. Vemos o que para vocês seriam em impressionantes definições, as figuras que representam o calor, nas variadas formas para variadas temperaturas e fontes emissoras dele, o mesmo processo para o som, sabor, tato, percepção clara de objetos situados na mais plena escuridão, enfim, de todas as fontes de energias que você possa imaginar. Muitas delas são excepcionalmente especiais, tais quais os campos energéticos irradiados pelos corpos das pessoas, que os vemos em diferentes cores, e nos revelam seus estados emocionais, de saúde, inclusive muitas das minudências que às vezes até as próprias pessoas desconhecem sobre sí mesma!
Uma das mais interessantes, e que serviram imensamente as nossas ciências, foram às singulares visualizações representativas das forças de atração e repulsão, mormente as dos campos gravitacionais da Terra, a princípio, e de outros Astros, muito depois. Isso nos deu condições para criarmos, em pequenas áreas, inversões destas forças gravitacionais para operações variadíssimas, contudo, como foi exposto, em áreas muito restritas, pois de forma ampla, seria transgredir Leis Cósmicas, o que nos acarretaria gravíssimas responsabilidades.
As evoluções das nossas peculiaridades, nos campos das percepções das energias por meio de imagens, e de algo análogo a gráficos, no sentido genérico do termo, foram progredindo muito lentamente, já que mesmo em nós, se fosse de forma súbita, levaria a qualquer um dos irmãos a demência em pouco tempo.
Você agora está se perguntando para que então, temos olhos, ouvidos, narizes, sensores do paladar e do tato.
–Sim, é de fato muito curioso os ter, ao menos como nós, em função dos prodigiosos aparelhos perceptivos de que são dotados.
–Alguma razão houve Neckvizs para que fossemos “criados”, não absurdamente tão dissemelhantes, nas formas físicas, dos animais que “lhes deram origem”, na época em que isso aconteceu, e agora, após as grandes evoluções de vocês, em todos os aspectos, sermos praticamente idênticos nas aparências.

O nosso entendimento a respeito, excetuando o porquê das excepcionais afinidades físicas entre nós e vocês, “imagens e semelhanças”, é que, a despeito das utilíssimas extras funções destes cinco sentidos em nós, “nossa raça”, muitas mais profundas que as dos homens, quando não necessitamos das demais, as desativamos de forma volitiva. Isso é para simplesmente usarmos os convencionais e por consequência, relaxarmos extensas áreas do nosso complexo sistema neurológico, e assim ficamos mais libertos as impressões Espirituais.


       O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM
                                                                   
                                         Oitava parte.

Foram tamanhas e vívidas as suas recordações que se sentiu sonolento, entretanto, uma suave voz manteve a sua mente desperta, e exclama venturoso:
Necklia amor, que surpresa feliz!
–Boa noite querido! Tenha agora um descanso destas lembranças e venha comigo, passear por ai.
–Por ai? Ah querida! Que desejo imenso de voltar a viver plenamente os “por ai”, onde juntinho a ti nossos passos, unidos, nossas mãos enlaçadas, me faziam o homem mais feliz que passou pela face deste mundo.
–Deixemos de lado este homem mais feliz porque vai viver o oposto do venturoso, quando se lembrar da ação que te fez “descer aos abismos”.
_Neckvizs abaixou a cabeça, triste e envergonhado. Não reviveu ainda este episódio, mas sabe que ele em tempo algum saíra do interior de um Ser que cometeu o maior dos pecados e, conscientemente.
–Tem razão Necklia. A efetivação de qualquer ato causa consequências irreversíveis; nunca poderemos voltar atrás. Uma vez que eles ocorram, sejam em quais circunstâncias forem seus efeitos serão inevitáveis.
Vamos vagar pelos recantos de paz do nosso sossegado Oásis, e deixar as coisas acontecerem nos seus devidos tempos.
–A noite é linda amor, diz Necklia olhando os mágicos pontinhos brilhantes no céu. Os mistérios de todas as naturezas nos circundam e apelam incessantemente aos corações dos homens para contemplá-los.
–Você me sugere dar ênfase, e correlacionar estes lindos mistérios com a noite, querida, por quê?
–Ah, Neckvizs! Como é difícil transmitir muitas das coisas que sentimos ou pensamos, a alguém que não fala o mesmo idioma que nós. Se não tivesse o controle das minhas emoções qual a ti, viveria, enquanto você não voltar ao ponto em que parou, bem como não resgatar todo o seu “pesado débito”, com a minha Alma dilacerada pela aflição.
Meu rei, meu pobre menino! Consolo-me na certeza de que a lição foi amarga, mas o tratamento pelo qual passa é justo e eficaz, igualmente não o deixará doravante, se afastar de mim.
Tudo o que existe meu amado têm infinitas utilidades. Além de formar um todo, cada parte em separado nos revelam muitos segredos, nos mostram uma infinidade de caminhos, basta tão- somente estarmos atentos.
A noite simboliza um dos maiores e fundamentais entre todos os mistérios. “O início de tudo, o anteceder da Luz”. Neste momento e, enquanto estivermos juntos nela passeando sob este Céu Exuberante, ela representa o encanto do amor que sentimos um pelo outro, nos fascina com as dádivas dos excelsos vislumbres de mundos que pairam sobre nós. Nos estados d’Alma em que vivemos agora ela é poesia, ternura, amor... Contudo, ela pode também representar papéis sombrios, como a Noite Negra, experimentada pelo teu Espírito, no sofrido anseio em voltar a ser o meu Rei em toda a sua plenitude.
Simboliza igualmente, a ignorância, os sofrimentos gerais... Enfim, são inumeráveis as suas expressões, no entanto, ela é apenas a noite!
Assim qual ela não há uma só partícula ou evento, em quaisquer recantos dos Universos, que não esteja revestido de singularidades, de Magias da “criação”!
Atente a elas querido com os olhos símplices, com a humildade no coração e perceberá que é possível sim, embora ainda sem todo o seu brilho, envolver-se nas Majestosas Faces de Deus!
–Que Ele me perdoe querida, mas neste momento você é o meu tudo, os meus sentidos, os pulsares do meu coração, o único amor nesta minha vida!
–Nem uma única palavra das por ti agora proferidas está exclusa, no sentido das coisas ponderadas pela a sua Necklia, amor.
_Caminham sem rumo Neckvizs e Necklia descalços e de mãos dadas. Não importa a direção, aonde seus passos os levam. Juntos e enlaçados suas Almas se rejubilam qual o voo do livre pássaro, a mais sublime das canções...
Voltaram quando os primeiros raios do Sol anunciam a chegada de um novo dia.
–Até breve amor, despede-se Necklia.

     O DESPERTAR DO PRIMEIRO HOMEM
                                                                   
                                        Nona parte.
                                             Final.

Volte à máquina Neckvizs e dê uma basta a tudo isso.
_Está outra vez frente a ela. Liga-a e aguarda.
Novamente aparecem palavras escritas na tela e agora diferente surpresa:
–Sabemos do seu problema Neckvizs. Rogamos que continue na tentativa de manter a calma. A tão ansiada paz não tarda voltar a sua vida.
Outra sucessão de imagens lhe é exibidas com a total interação entre ele e elas.
Vê e vive um menino loiro tendendo ao ruivo, com os olhos azuis e cabelos loiros pouco longos, com a faixa dourada a eles prendendo, atada a sua fronte.
Esta faixa lhe fora dada pelos seus pais adotivos que o escolheu em um orfanato onde foi deixado, e os diretores deste abrigo nunca descobriram o, ou os autores desta ação e, menos ainda do porque dela, já que era um lindo e saudável bebê.
Eles, seus pais adotivos já havia ambos, ultrapassado os quarenta e cinco anos de idades quando o adotou.
Era um casal sem filhos e muito rico. Cuidaram dele com extremo carinho dando-o tudo de que necessitava e, quando rapazinho notou, em comparação aos pais de colegas de escolas, pois não tinha outros fora delas, já que a sua vida era plenamente dedicada aos estudos, que Nescklio e Nescklia, seus pais, eram completamente diferentes de todos eles, pois não poderia ser de outra forma, já que Nescklio e Nescklia eram pais de Necklia e, portanto, dois de seus irmãos.
Crescia robusto, muito belo, como também extremamente culto e inteligente para a sua idade. Aos dezessete anos ingressou na faculdade para fazer o curso de História, a seguir, Antropologia e depois, Biologia, sem optar por pós-graduações em nenhum deles. Iniciou e prosseguiu até a metade, o curso de Botânica, abandonando-o, pois entendeu que poderia ampliá-lo sozinho, visto que se sentia entediado de frequentar faculdades.
Aos trinta e oito anos, já há mais de sete com seus estudos acadêmicos encerrados, passou neste período de tempo fazendo pesquisas relacionadas às matérias que estudou inclusive a de Botânica, que não chegou a concluir, igualmente a outras ciências, pois desejava o conhecimento da forma mais abrangente que lhe fosse possível.
Ao final destes quase oito anos, dos quais todos sempre perto do amoroso casal que o criou, careceu dedicar todo tempo disponível a eles, visto que misteriosamente adoeceram os dois ao mesmo tempo e, com a mesma moléstia. Três meses depois também misteriosamente, ambos falecem no mesmo dia e hora, aos noventa e três anos, deixando-o completamente só na vida, uma vez que eles, sem que jamais tenha entendido, não possuíam “parentes” alguns. 
Foram muitos os questionamentos de Neckvizs sobre este assunto, mas as razões a ele apresentadas nunca o satisfez e não sabia o quê, mas algo sempre lhe fora ocultado por eles.
Pouco antes dos seus trinta e oito anos decidiu vagar pelo mundo com o intuito de aprender, experiênciar coisas novas e, sobretudo, buscar respostas para questões que no seu entender, seriam doravante a razão da sua solitária existência.
Percorreu por diversos países, alguns bizarros, e envolveu-se em inúmeras aventuras na sua busca incontida pelo saber, de forma mais abarcante possível.
Das regiões geladas as muito quentes, desertos, montanhas, florestas... Explorou-as exaustivamente por quase quatro anos seguidos, que lhe pareceram mais de dez, somando muitos conhecimentos ao seu considerável acervo culturais, contudo, o que verdadeiramente cobiçava saber estava, aos seus olhos, se evidenciando inalcançável.
Conversando com uma pessoa em certo país do continente Asiático fora sugerido visitar um Templo que professa uma religião conhecida em todo o mundo, e que ele se situa em um determinado e muito conhecido lugar. Sim, muito conhecido, mas para os nativos de lá, já para Neckvizs os entraves do dialeto daquela região, a cultura deles e, uma série de outros detalhes, dificultava o seu intento.
Muito cansado de tanto andar por várias horas e propenso a desistir encontrou, “por acaso”, um senhor idoso e a ele pediu informação sobre o local procurado.
Este senhor sugerindo conhecê-lo, e falando fluentemente no seu idioma, lhe disse:
–“Conheço, mas será perda de tempo ir até lá. O que procura desesperadamente encontra-se dentro de ti mesmo!”.
_Convidou-lhe a segui-lo e a entrar na sua humilde casa.
Dentro dela a pessoa se apresentou, quando a noite chegava:
–Meu nome é Koujy...
_Ao termo de todas as lembranças Neckvizs sente um peso assombroso na sua cabeça, qual se ela estivesse sendo tragada por um intenso redemoinho e corre alucinado em direção à praia. Lá chegando desfalece caindo pesadamente nas areias.
Durante as longas horas de inconsciência foram apagados temporariamente das suas lembranças, os muitos e tristes eventos que viveu; sejam os sonhados, os experienciado nos dias a dias, como também os assistidos na tela do singular computar.
Embora permaneça por algum tempo esquecido de fatos com importâncias inestimáveis, ficará retida na sua memória espiritual, a adquirida compreensão de que o “Todo” não é aparentemente um combinado de incalculáveis segmentos desagregados, antes, porém, ele é todos estes segmentos e os mesmos formam um único, um “Tudo Concreto e Indivisível, o Absoluto”. Tem conhecimento agora também de que Necklia e ele estão a um passo da “comunhão com o Todo”, assim como se encontram “Nele” “há muitas e distantes eras”, Isasky e Koujy e ela sabia disso ao afirmar que fora a alguém revelada as últimas palavras contidas no Livro Sagrado de seu povo.  Este alguém é ElaNecklia, a Rainha o seu eterno amor, que na sua humildade, disse estar no mesmo “nível evolutivo” dos irmãos que ainda estão unidos a eles aqui, neste mundo.
Foi terrível o esquecimento “por lição”, mas lembrou-se de que “simbolicamente” o “esquecimento, ‘por processos da Vida’, incide em todas as criaturas no ato de suas criações”. Deus não está distante de tudo, Deus é o Amor e o Amor é a Suprema experiência do Tudo.
_Restaram-lhe agora à recordação de alguns eventos, os que lhe proporcionaram momentos de extrema felicidade, e o sentimento de que o “Saber perdido, acrescido de tantos outros, percorre agorade forma plena, no seu Interior”, entretanto, a princípio irá se sentir intensamente atordoado, e tudo se lhe afigurará como simplesmente um sonho.  As perturbadoras ocorrências reiniciarão na íntegra, mas de forma branda, pois tem agora a estrutura para suportá-las com dignidade, se bem que as vividas duramente decretaram o cumprimento da sua pena. Neckvizs está definitivamente livre.
Se vê despertando nas finas, brancas e límpidas areias de uma bela praia, com o Sol nascente, o Sol da Vida, aquecendo seu corpo e percebe algo atado ao seu pescoço. Ao colocar a mão nele sente que é um cordão.
–Que lugar é esse, e o que estou fazendo aqui?
_Apossa-se dele indescritível confusão interior. Lembra de que teve um sonho, onde seu início ocorreu quando na procura de determinado lugar conheceu um personagem como o nome de Koujy.
–Meu Deus, que sonho divino! Exclama. Ele representou tudo o que mais desejei nesta vida. Por que despertei? Preferia mil vezes a morte.
_Após pronunciar a palavra morte sente a Vida como nunca imaginou antes, ao ver Necklia, com o pranto descendo abundantemente de seus olhos e de braços abertos, dizendo-lhe:
–Venha meu amado Rei, venha descansar seu sofrido Espírito ao meu lado, no nosso Sagrado Lar.

                                                   Fim.

“A SABEDORIA NADA REPRESENTA SEM A HUMILDADE NO MESMO GRAU”

                                


                                  

                                                      Breve biografia do autor.


Jaime D’Aquino sempre residiu no Estado do Rio de Janeiro, sua querida terra natal.
Não possui reais ou fictícios títulos de doutor, filósofo, palestrante... Nada que possa induzir seus leitores a vê-lo como uma figura que não é.
Nos contextos das suas obras é exibido pura e simplesmente, o que aprendeu nas escolas da vida, nas superações dos obstáculos por ela oferecidos.
A seu ver, nada é mais genuíno que a fluidez das inspirações interiores. Por meio delas desenvolveu cinco livros, todos escritos há seus tempos certos. Muitos ensaios permanecem fluindo e, frente a seu computador, após metódicas verificações, os transforma em textos de amor, fé e esperança!
            
                              


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